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Impacto da COVID-19 nos doentes com EM e receios dos clínicos

Impacto da COVID-19 nos doentes com EM e receios dos clínicos

De três em três anos, a Americas Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis (ACTRIMS) e a European Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis (ECTRIMS) juntam-se num encontro, no qual divulgam os mais recentes avanços na área da esclerose múltipla (EM). Este ano, face ao período pandémico, a reunião decorre em formato exclusivamente digital com o nome MSVirtual2020. A News Farma falou com a Dr.ª Helena Felgueiras, do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, que afirma que, apesar de se ter perdido a interação presencial entre os clínicos de todo o mundo, esta edição “vai permitir que todas as pessoas envolvidas nesta área possam participar no Congresso”. Veja o vídeo.

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Desafiada a comentar os temas contemplados no programa científico, a especialista afirma que as “temáticas relativas à COVID-19 são as que chamam mais atenção, uma vez que esta população de doentes imunodeprimida tem suscetibilidade de ter algum tipo de infeções e isso é uma preocupação para qualquer médico que se dedique a esta área”.  

“Globalmente, [a COVID-19] não teve assim um impacto tão negativo nestes doentes”, começa por apontar a médica, explicando que, aquando do início da pandemia, os clínicos sentiram algum “receio em introduzir determinadas terapêuticas e de não conseguir fazer um seguimento adequado", uma vez que não os queriam expor a maiores riscos na realização dos exames, que vieram a ser cancelados.

A partir da experiência internacional e com o passar do tempo, foi-se "percebendo que a infeção não tinha impacto negativo nos doentes que estavam imunodeprimidos, pelo menos com alguns dos fármacos”, fator que veio dar maior estabilidade e segurança aos clínicos para continuarem a tratar e até iniciar alguns medicamentos.

Relativamente à possível vacina para a COVID-19, a neurologista afirma que estão já a ser tomados cuidados: “Alguns fármacos interferem com a resposta imune natural que se desenvolve com uma vacina. Isso são tudo questões que nos preocupam e que nos fazem questionar a nossa atuação diária, quando antes nem sequer pensávamos nisso”.

Em jeito de retrospetiva, a Dr.ª Helena Felgueiras afirma que os maiores avanços registados nos últimos anos nesta área foram a nível terapêutico. “Temos disponíveis tratamentos consideravelmente mais eficazes que melhoram a qualidade de vida dos doentes, que registam um menor número de surtos e, consequentemente, conseguem fazer a sua vida o mais normal possível". Além disso, estas terapêuticas "atrasam o início das formas progressivas da patologia”.

sábado, 12 setembro 2020 11:20
Expert Insight


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