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Potenciais indicadores da fase de pródromo da esclerose múltipla

Potenciais indicadores da fase de pródromo da esclerose múltipla

Intitulada “The Multiple Sclerosis Prodrom”, a sessão de abertura do MSVirtual2020 contou com a presença da Prof.ª Doutora Helen Tremlett para apresentar e analisar alguns sinais precoces que podem anteceder os primeiros sintomas característicos de esclerose múltipla (EM) e, futuramente, permitir uma antecipação do seu diagnóstico e melhor gestão da doença. Esta palestra teve como principais focos a análise dos dados sobre potenciais indicadores recolhidos nos cuidados de saúde e a devida caracterização da fase de pródromo da EM.

A Prof.ª Doutora Helen Tremlett, diretora do Laboratório Tremlett e do programa de investigação de Epidemiologia em EM, deu início à sua apresentação, recordando que a fase de pródromo da EM, ao contrário de outras patologias neurológicas, começou por ser desconsiderada. No entanto, o corpo de evidências que apontou para a sua existência, tornou-se “demasiado significativo para ser ignorado”.

De acordo com os dados clínicos e administrativos recolhidos em coortes de doentes com EM no Canadá, o recurso aos cuidados de saúde foi maior cinco anos antes do primeiro evento de desmielinização ou antes do primeiro sintoma desta patologia. Este aumento, segundo a palestrante, terá sido motivado por uma ou mais manifestações inespecíficas, tendo destacado as de natureza dermatológica, bem como as alterações do estilo de vida e o aumento do consumo de contracetivos. Relativamente às manifestações dermatológicas, a preletora admite a hipótese de serem uma “apresentação precoce de um sistema imunitário desregulado”.

Também os dados obtidos a partir de registos dos cuidados de saúde primários do Reino Unido relativos a queixas inespecíficas corroboram a existência de uma fase de pródromo que pode começar até 10 anos antes dos sintomas de EM ou da síndrome clinicamente isolada. Em linha com estes dados, foi destacado um estudo retrospetivo sobre uma população de doentes em cuidados ambulatórios maioritariamente da Baviera que indica que muitas das visitas médicas realizadas antes do diagnóstico de EM foram, provavelmente, devidas a sintomas resultantes da desmielinização.

Em seguida foram apresentados os resultados de um estudo que explorou a possível relação que o sexo e a idade dos doentes com EM podem ter na manifestação de alguns sintomas inespecíficos na fase de pródromo, em concreto o desenvolvimento de anemias e quadros dolorosos. Neste trabalho observou-se um aumento médio significativo na probabilidade de desenvolver anemia nos doentes com EM do sexo masculino (odd ratio= 2.4) e um aumento mais significativo na probabilidade de desenvolver quadros dolorosos intensos na faixa etária com idades superiores a 50 anos (odd ratio= 2.4).

Antes de concluir, a Prof.ª Doutora Helen Tremlett evidenciou dados de estudos que sugerem, como outras manifestações inespecíficas da fase de pródromo de EM, o declínio da performance cognitiva, o desenvolvimento de doenças do foro psiquiátrico, e, como indicador de dano neuroaxonal, a presença aumentada de neurofilamentos de cadeia leve no soro sanguíneo. Todos estes resultados reforçam a viabilidade de um diagnóstico e intervenções mais precoces no tratamento da EM.

sexta-feira, 11 setembro 2020 20:23
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