apoio

Os últimos avanços na esclerose múltipla pediátrica

Os últimos avanços na esclerose múltipla pediátrica

Teve lugar no último dia do 8th Joint ACTRIMS-ECTRIMS Meeting a sessão subordinada ao tema “Developments in pediatric MS”, que juntou virtualmente as Prof.as Doutoras Kyla McKay, Brenda Banwell e Christine Till para apresentarem estudos e discutirem os efeitos da esclerose múltipla (EM) na cognição pediátrica, bem como as últimas descobertas nas técnicas imagiológicas de diagnóstico.

Coube à Prof.ª Doutora Kyla McKay, investigadora do Departamento de Neurociência Clínica do Karolinska Institute, a primeira palestra da sessão, que incidiu sobre os efeitos a longo prazo da EM pediátrica na progressão da incapacidade, na cognição, educação e rendimento.

Relativamente ao primeiro ponto, foi apresentado um estudo cujo objetivo foi avaliar e comparar a progressão da incapacidade neurológica, através da Expanded Disability Status Scale (EDSS), em indivíduos diagnosticados com EM em idade pediátrica versus idade adulta. Verificou-se neste trabalho que indivíduos com EM diagnosticada em idades pediátricas demoram mais tempo a alcançar o score 4 na escala EDSS, embora atinjam esse valor em idades inferiores aos indivíduos com EM diagnosticada em idade adulta.

Em relação ao segundo aspeto, a investigadora mencionou um estudo conduzido com o intuito de avaliar e comparar as capacidades cognitivas em indivíduos diagnosticados com EM em idade pediátrica versus idade adulta, recorrendo ao Symbol Digit Modalities Test (SDMT). Este trabalho revelou que os scores dos referidos testes em indivíduos diagnosticados em idade pediátrica foram significativamente inferiores e em idades mais jovens do que os indivíduos diagnosticados com EM em idade adulta. Neste estudo também foi identificada uma deficiência cognitiva mais acentuada no grupo de doentes em idade pediátrica.

Por último, a preletora focou-se num estudo que procurou saber “quais as consequências socioeconómicas nos indivíduos diagnosticados com EM em idade pediátrica.” No que à componente educativa diz respeito, observou-se que a percentagem de indivíduos diagnosticados com EM em idade pediátrica com o ensino secundário e universitário completo era inferior ao resto da população. Também os rendimentos médios deste grupo foram inferiores à população geral, em todas as faixas etárias. Por outro lado, a probabilidade dos indivíduos diagnosticados com EM em idade pediátrica solicitarem baixa médica e pensão por invalidez foi, em média, significativamente maior em todas as faixas etárias, em relação à população geral. Na opinião da Prof.ª Doutora Kyla McKay, “todos estes resultados ilustram bem o grande fardo desta doença em indivíduos diagnosticados em idades pediátricas.”

Em seguida foi a vez da Prof.ª Doutora Brenda Banwell, chefe da divisão de Neurologia do Children's Hospital of Philadelphia, abordar “New Research in Pediatric MS Imaging”. Segundo a neuropediatra, as descobertas com ressonâncias magnéticas em crianças com EM revelaram o seguinte:

  • O diagnóstico de EM em idade pediátrica está associado a uma elevada carga de lesões identificadas por imagens do tipo T2 e desenvolvimento precoce de “buracos negros” detetados por imagens do tipo T1;
  • A carga das lesões no momento do diagnóstico não permite prever evolução clínica ou imagiológica da doença;
  • O diagnóstico da EM na infância tem um impacto negativo no crescimento e volume cerebral, estando associado a uma atrofia cerebral progressiva que começa na adolescência;
  • A perda de volume cerebral é mais proeminente no tálamo e pode ter um efeito tóxico no líquido cefalorraquidiano;
  • A diminuição da espessura no córtex cerebral, envolvendo o córtex visual, ocorre mesmo em doentes pediátricos;
  • Há uma intercomunicação complexa entre a integridade da matéria branca e a matéria cinzenta;
  • O impacto no mundo real destas caraterísticas da RM exige métricas cognitivas mais sensíveis e métricas de exames neurológicos.

Para fechar a sessão, a Prof.ª Doutora Christine Till, professora de Neuropsicologia Clínica no Departamento de Psicologia da York University (Toronto), falou sobre “Cognitive Impairment in pediatric MS”. Segundo a palestrante, “o défice cognitivo pode ser um dos sintomas mais incapacitantes da EM, cuja severidade pode depender de fatores como a idade em que a doença é diagnosticada, a duração da doença e o número de recidivas.” Este défice cognitivo é patente, segundo os estudos, em cerca de um terço dos doentes diagnosticados com EM em idade pediátrica. O perfil neuropsicológico destes doentes, semelhante ao dos doentes diagnosticados em idade adulta, é caraterizados por uma redução na velocidade de processamento de informação, défice de atenção e funções executivas. “A redução na velocidade do processamento de informação pode ser o resultado da perda de integridade da matéria branca”, admitiu a oradora. “O interesse em avaliar a velocidade do processamento de informação nos doentes diagnosticados com EM em idade pediátrica, levou-nos a usar o teste Penn Computerized Neurocognitive Battery (PCNB) por ser capaz de avaliar várias funções e medir a precisão e tempo de respostas”, acrescentou. O teste, que foi aplicado em 65 doentes com EM com uma média de idades de 15 anos, revelou uma diminuição em todas as funções avaliadas, incluindo o tempo de resposta dada a perguntas de resposta rápida. No entanto, “é importante realçar que o défice cognitivo não se limitou à velocidade de processamento de informação, avaliada pelos testes de resposta rápida”. Finalmente, uma comparação do teste PCNB com o SDMT sugere que o recurso exclusivo deste último na avaliação de défices cognitivos pode não ser capaz de identificar dificuldades numa gama mais alargada de funções, ao contrário do PCNB.

domingo, 13 setembro 2020 23:55
Atualidade


Agenda

Newsletter

Receba em primeira mão todas as notícias